marcio.damaral@terra.com.br

Márcio Tavares d’Amaral

Professor titular emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atuando na Escola de Comunicação (ECO). Fez graduação em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-Rio, mestrado em Comunicação pela UFRJ, doutorado em Letras (Ciência da Literatura) pela UFRJ e pós-doutorado na Universidade de Paris V – Sorbonne Sciences Humaines. Foi pesquisador 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com experiência nas áreas de Filosofia, História da Filosofia e Teoria da Comunicação. Em 1981, criou e coordena desde então o IDEA – Programa de Estudos Avançados e o Laboratório de História dos Sistemas de Pensamento, onde realiza suas atividades de pesquisa e ensino (graduação e pós-graduação). Publicou cerca de trinta livros, entre os quais se destacam os nove volumes da coletânea Os assassinos do sol: uma história dos paradigmas filosóficos, ”Seis ensaios da quarentena” e ”Comunicação e Diferença: uma filosofia de guerra para uso dos homens comuns” (Editora UFRJ). Também atuou como colunista do Caderno de Cultura / Segundo Caderno, do jornal O Globo. Atualmente desenvolve pesquisas ligadas à genealogia da verdade/pós-verdade e do sujeito-consumidor e à possibilidade de novas experiências de subjetivação e veridicção. Integra o diretório de pesquisadores do Centro Michel Foucault (França). Projeto de pesquisa atual: ”Foucault no transe contemporâneo – desejo, imaginação e subjetividades ético-políticas” (Cf. https://encurtador.com.br/nHS9Q).

Projetos de Pesquisa
Sujeito, poder e desejo: Qual é a ironia do dispositivo hoje?

Há décadas o trabalho e a trajetória de Michel Foucault, filósofo francês mais lido no Brasil, são referências nas universidades e nas produções acadêmicas brasileiras, em especial nas do Rio de Janeiro. A ECO-UFRJ foi responsável por introduzir a obra de Foucault na área de humanidades no Estado por meio de curso monográfico a partir de 1972, quando seu PPGCOM ainda estava sendo estruturado. No ano seguinte, em plena ditadura, Foucault esteve no Brasil e ministrou um curso na PUC-Rio com a participação de vários professores da UFRJ, marcando assim uma geração de pensadores locais. Desde então, as arqueologias e as genealogias desenvolvidas por Foucault fazem parte da identidade teórica da ECO e do seu PPGCOM. Os reflexos dessas influências aparecem por exemplo, na criação do Laboratório de História dos Sistemas de Pensamento (associado ao IDEA e cujo nome faz menção à disciplina oferecida por Foucault no Collège de France) e, mais recentemente, na realização do Seminário Internacional Foucault em transe, promovido pela ECO em 2024. O presente projeto visa recuperar e atualizar a crítica original que Michel Foucault, de modo relativamente solitário em seu tempo, direcionou ao sujeito de desejo ocidental, entendido como instância fundante de nossas identidades e capacidades de ação. Foucault sustenta que esse “desejo” não é natural nem psicológico, mas o resultado de uma construção histórica que hoje não pode ignorar os interesses sociotécnicos de mercado, segundo os quais o desejo parece estar vinculado a uma mera satisfação de consumo, mais do que a uma interrogação subjetiva. Ironia do dispositivo: pensar que esse é o nosso desejo quando ele fala apenas da nossa sujeição.

Publicações
AMARAL, M. T. Pós-modernidade e literatura. ABRIL (NITERÓI), v. 16, p. 13-23, 2024.
AMARAL, Marcio Tavares d'. Desvelamento por alétheia: o problema é de tradução?. ENUNCIAÇÃO - REVISTA DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA DA UFFRJ, v. 9, p. 115-127, 2024.
AMARAL, M. T. Sobre o combate inortodoxo a uma ortodoxia triunfante. COSMOS E CONTEXTO, v. 59, p. 1, 2023.
AMARAL, M. T. Seis ensaios da quarentena. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2021.