Estudar artistas modernos do não a partir do fracasso, da improdutividade, do desaparecimento e da invisibilidade, estabelecendo comparações, com especial atenção a um contexto latino-americano. A partir do quadro que delineamos nos três anos da pesquisa amterior Modernismo, Extrativismo e Melancolia, começou a me interessar a configuração de artistas pouco produtivos, não-profissionais, como pode ser observado em Mario Peixoto e Cornelio Penna, ou em quem, por mais que tenha tido uma obra profícua, estava à margem dos debates artísticos ou políticos públicos como Goeldi. Para entender mais tal perfil, pretendo, nos próximos três anos, delimitar um quadro mais amplo desses artistas do não, da recusa que tem em Bartleby (1853) de Herman Melville uma configuração fundadora que ganhou leituras importantes e que encontra no gesto de Rimbaud, ao deixar de escrever antes dos vinte anos, um marco na poesia moderna, que merece ser desenvolvida em outras obras para além mesmo das indicadas por Villa Mattas em Bartleby e Companhia (2000), no qual nos chama atenção a pouca presença feminina e latino-americanos pouco conhecidos, inspirado em Artistes sans oeuvres (1997) de Jean-Yves Jouannais. Gostaria de incluir nessa cartografia um diálogo com a produção luso-brasileira tanto em personagens como O Amanuense Belmiro (1937) de Ciro Dos Anjos ou O Livro do Desassossego (1982) de Bernardo Soares/Fernando Pessoa, que se configuram em modestos trabalhadores, escriturários, em geral, solteiros, bem como figuras da crise do mundo agrário como em Lavoura Arcaica (1975) de Raduan Nassar e sua adaptação para o cinema dirigida por Luiz Fernando Carvalho (2001), que merece um diálogo com Pedro Páramo (1955) de Juan Rulfo bem como São Bernardo (1934) de Graciliano Ramos e sua leitura fílmica por Leon Hirszman (1971). No segundo ano da pesquisa, outra figura que gostaria de voltar a ela, depois de publicação de Inúteis, Frívolos e Distantes (2019) em coautoria com André Antônio Barbosa, Pedro Pinheiro Neves e Ricardo Duarte Filho, é o dândi, para estabelecer um diálogo que não foi feito então com o mundo hispano-americano desde Ruben Dario, José Asuncion da Silva e com figuras femininas. Ainda que não tenha tido condições de explorar, a figura do boêmio poderia dialogar com os dândis. Acredito que, para um terceiro ano, um nome seria central para entender a relação entre vanguarda, dandismo e artistas da recusa que é Marcel Duchamp, para a relação com a América Latina, em particular, o Brasil, é importante o conhecer o diálogo já feito com Maria Martins.