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Ilana Feldman

Ilana Feldman é professora adjunta da Escola de Comunicação da UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da mesma instituição. É líder do grupo de pesquisa ”Poéticas do testemunho e políticas da imaginação na paisagem cultural contemporânea” (CNPq, 2024). É doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP, com a tese ”Jogos de cena: ensaios sobre o documentário brasileiro contemporâneo” (bolsa Capes, 2008-2012). É mestre em Comunicação pela UFF (bolsa CNPq, 2005-2007) e graduada em Comunicação Social, com habilitação em Cinema, pela mesma universidade (2004). Tem-se dedicado a pesquisas em torno das relações entre testemunho, trauma, políticas da imagem e da imaginação na paisagem cultural contemporânea, com ênfase na produção audiovisual e suas intersecções com literatura, psicanálise, fotografia e artes visuais, atuando também como curadora independente. Nesse sentido, foi curadora geral do Museu Judaico de São Paulo (2021) e realizou as curadorias das mostras ”Botannica Tirannica”, com Giselle Beiguelman (2022), ”Modernas! São Paulo vista por elas”, com Priscyla Gomes (2022-2023), e ”Judeus na Amazônia”, com um grupo de curadores (2024-2025). É responsável pela curadoria do Memorial Judaico do Museu Vassouras (2025).

Projetos de Pesquisa
Poéticas do testemunho e políticas da imaginação na paisagem cultural contemporânea.

Embora se encontrem no centro do pensamento psicanalítico e da teoria literária, os campos teóricos do testemunho, dos estudos do trauma e das escritas de si têm orientado parte expressiva das manifestações culturais, artísticas, midiáticas e comunicacionais contemporâneas, sobretudo após as grandes catástrofes históricas que marcaram a experiência subjetiva e coletiva a partir da segunda metade do século XX e que continuam a incidir sobre o XXI. Nesse contexto, o projeto de pesquisa “Poéticas do testemunho e políticas da imaginação na paisagem cultural contemporânea” pretende analisar as relações críticas e as invenções formais que produções audiovisuais, fotográficas, literárias e artísticas contemporâneas, nacionais e estrangeiras, ficcionais e documentais, vêm estabelecendo com a problemática do testemunho e suas mutações, em uma articulação entre narração, construção da experiência coletiva, produção da subjetividade e imaginação (aí também compreendidos nossos sonhos e experiência onírica). Como pretendemos discutir, face a vivências traumáticas, de difícil, se não impossível, simbolização pela linguagem, o campo teórico do testemunho, em toda a sua amplitude temática e diversidade estilística, tem operado como um modo de narração que coloca em questão os limites da representação, problematizando as fronteiras entre o fictício e o factual, a memória e a história, o pessoal e o coletivo, a natureza e a cultura, sempre a partir de uma ética do olhar e da escritura. No contexto de uma sociedade mediada por imagens e tecnologias, assim como marcada por catástrofes políticas, históricas, ambientais, sanitárias e sociais, em que paira a ameaça autoritária, acreditamos ser preciso, como tarefa política urgente, narrar o trauma, escrever o luto e imaginar, apesar de tudo – para, desse modo, desprivatizar a dor e propor outras formas de figuração do testemunho. Pois uma sociedade é tanto mais democrática quanto menor for a desigualdade na distribuição do luto público e maior for sua capacidade política de imaginação.

Publicações
FELDMAN, Ilana. Uma cadeira vazia: considerações sobre 'Jogo de cena' de Eduardo Coutinho. Colóquio. Letras, v. 220, p. 89-98, 2025.
FELDMAN, Ilana; ATHIAS, R. (Org.) ; FIGUEIREDO, A. M. (Org.) ; LORENZI, Mariana (Org.) . Judeus na Amazônia. 1. ed. São Paulo: Museu Judaico de São Paulo, 2025.
FELDMAN, Ilana. O Cinema em A Paixão Segundo G.H.. 01. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2025.
FELDMAN, Ilana. De Holocausto (1978) a Chernobyl (2019): ¿Qué puede hacer el audiovisual ante un pasado traumático y un futuro amenazado?. ACTA POÉTICA, v. 43, p. 11-37, 2022.