A plataformização e a financeirização das infraestruturas informacionais vêm reorganizando o espaço público sob lógicas que aprofundam a desdemocratização e estreitam nosso horizonte político. Entendemos que as políticas de comunicação podem atuar como dispositivos institucionais de reencantamento do mundo, ao restaurar a comunicação como prática social, ao ampliar nossos repertórios e ao fortalecer a capacidade coletiva de disputar narrativas e de construir projetos democráticos de longo prazo. Metodologicamente, nos situamos na intersecção entre a Economia Política da Comunicação, as Políticas de Comunicação e da Cultura e os Estudos de Futuros. Nossa proposta se alicerça na combinação indissociável entre ensino, pesquisa e extensão na graduação e na pós-graduação. Assim, o objetivo geral é investigar como as políticas de comunicação podem estruturar futuros democráticos no Brasil, articulando o Direito à Comunicação ao enfrentamento da desdemocratização, de modo a fortalecer as capacidades coletivas de reencantamento do mundo (Federici, 2022). E como objetivos específicos pretendemos: 1. Mapear e avaliar cenários possíveis de desenvolvimento das políticas de conectividade, dados e infraestruturas da comunicação no Brasil, examinando como diferentes arranjos institucionais, regulatórios e econômicos podem ampliar ou restringir, no médio e longo prazo, a soberania e a autonomia do Estado no controle público de fluxos de informação; 2. Investigar assimetrias informacionais e propor estratégias para sua correção; 3. Avaliar implicações prospectivas da plataformização e da financeirização sobre as cadeias produtivas do jornalismo, da publicidade e do audiovisual, considerando efeitos estruturais de longo prazo sobre direitos autorais, as condições de trabalho, a diversidade cultural e a soberania; 4. Examinar futuros possíveis para os sistemas de informação pública do Estado brasileiro, analisando como as escolhas institucionais do presente podem fortalecer ou comprometer a soberania; 5. Analisar as disputas futuras em torno dos afetos investigando como políticas de comunicação podem produzir pertencimento, reconhecimento, vínculos sociais duráveis e contra-narrativas às dinâmicas de desdemocratização promovidas por sistemas comunicacionais opacos e concentrados; e 6. Fundamentar ações extensionistas de formação, escuta, produção e circulação, orientadas à ampliação da capacidade coletiva de imaginar e construir futuros democráticos no Brasil, em articulação com múltiplos territórios, comunidades e atores sociais. Nossa proposta se abre, assim, ao encontro de pessoas de todo o país que estejam interessadas em articular suas investigações a esse horizonte comum.