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João Freire Filho

João Freire Filho possui títulos de Mestre e de Doutor em Literatura Brasileira pela PUC-Rio. Realizou pós-doutorado júnior na ECO/UFRJ e pós-doutorado sênior na UFMG, ambos com bolsas do CNPq. É professor associado do Programa de Pós-Graduação da ECO/UFRJ, do qual foi coordenador durante o triênio 2008-2010 e coordenador adjunto no biênio 2018-2019. Ministrou cursos como professor convidado nos programas de pós-graduação da UFBA, da PUC-RS, da UFMG, da UFSM e da UFRN. No triênio 2016-2018, foi membro titular do Comitê de Assessoramento de Artes, Ciência da Informação e Comunicação do CNPq. Entre 2006 e 2009, exerceu o cargo de editor da revista E-Compós. Coordenou o GT Comunicação e Sociabilidade da Compós nos anos de 2007, 2008, 2018 e 2019, e a DTI Comunicação e Identidades Culturais da IBERCOM, de 2015 a 2019. É coordenador do Núcleo de Estudos de Mídia, Emoções e Sociabilidade (NEMES), cadastrado no diretório do CNPq. Coordena, também, a Rede de Pesquisa Arquivos da Aversão: Pedagogias e Políticas da Crueldade, composta por docentes da UFRJ, PUC-RS, UFPE, UFF e UFV – em 2022, o projeto para a expansão da Rede foi contemplado com o apoio do Edital Universal do CNPq . Recebeu o Prêmio Compós como orientador da melhor tese de doutorado, em 2011 e em 2018. Atualmente, orienta quatro doutorandos, uma mestranda e dois bolsistas de iniciação científica. Em 2021, ganhou a bolsa Cientista do Nosso Estado (CNE) da FAPERJ.

Projetos de Pesquisa
As Aflições Alheias: Pandemia, Empatia e Crueldade.

Neste projeto de pesquisa, pretendo examinar as mudanças significativas e no rumo e no teor das discussões públicas sobre a empatia suscitadas pela difusão da Covid-19 no Brasil, a partir de fevereiro de 2020. No decorrer da propagação fatal da doença, as apostas otimistas numa revolução empática estimulada ou imposta pela crise sanitária cederam espaço, rapidamente, a inúmeras reflexões pesarosas acerca da atitude de indiferença ou mesmo de escárnio que parte considerável da população parecia assumir diante do sofrimento alheio (“aquilo que não nos pertence”; aquilo que é “afastado”, “estrangeiro”, “estranho”, “impróprio”…). No lugar das conjecturas sobre as “lições da pandemia” e a inevitável revalorização da “conectividade”, do “afeto” ou do “cuidado” num vindouro “novo normal”, emergiram especulações a respeito da origem e dos efeitos de um inquietante déficit coletivo de empatia. A influência do presidente Jair Bolsonaro no contágio da insensibilidade figurou entre os temas mais debatidos na mídia. Psicanalistas, psicológicos e psiquiatras foram convocados, reiteradas vezes, para desvendar o enigma da crueldade do chefe do governo: sua evidente incapacidade de comover-se com o sofrimento do outro; seu ostensivo deleite com as aflições alheias. O diagnóstico de psicopatia passou a ser aventado, com grande naturalidade, em reportagens, editoriais e entrevistas. Com base em que saberes e autoridades a mídia ajudou a redefinir a urgência da empatia durante a pandemia da Covid-19? Que fatores foram assinalados como os principais empecilhos para o seu desenvolvimento naquele contexto específico? Como as abordagens patologizantes da falta de empatia podem contribuir para despolitizar a discussão sobre as crueldades inerentes ao avanço da política de extrema-direita e da doutrina socioeconômica do neoliberalismo no Brasil? Estas são algumas das questões essenciais e inter-relacionadas que planejo responder ao longo de minha pesquisa. O quadro de referência teórico da investigação é composto, fundamentalmente, por reflexões filosóficas, sociológicas e históricas sobre os conceitos de empatia, crueldade e psicopatia. Para o exame dos textos jornalísticos que integram o corpus empírico, baseio-me em procedimentos de análise de discurso propostos por Michel Foucault, em suas pesquisas arqueológicas e genealógicas.

Publicações
BOZZ, A.; FREIRE FILHO, J. A invenção de um dizer verdadeiro. REVISTA FAMECOS (ONLINE), v. 31, p. e44972, 2024.
FREIRE FILHO, João; ANJOS, J. . Silent or silenced pain? Women with endometriosis caught between neglect and acknowledgement. In: Lee Edwards; Clea Bourne. (Org.). The Sage Handbook of Promotional Culture and Society. 1ed.Londres: Sage, 2024, v. , p. 100-125.
FREIRE FILHO, J.; ANJOS, J. Comunicando o incomunicável? Mulheres com endometriose, assimetrias e limites da empatiaCommunicating the incommunicable? Women with endometriosis, asymmetries and limits of empathy-Comunicar lo incomunicable? Mujeres con endometriosis, asimetrías y límites de la empatía. RECIIS - Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde, v. 18, p. 522-537, 2024.
GOULART, Ana Paula (Org.) ; FREIRE FILHO, João (Org.) . Entretenimento, Feliciadade e Memória: forças moventes do contemporâneo. 1. ed. São Paulo: Anadarco, 2022.