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Micael Herschmann

Possui graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e formação pós-graduada (mestrado e doutorado) em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (doutorado concluído em 1998). Com apoio do Programa CAPES-PRINT foi Professor Visitante Sênior do Departamento de Sociologia da Université Paul-Valéry de Montpellier, França (em 2020). Atualmente é: pesquisador B do CNPq; Professor Titular da Escola de Comunicação da UFRJ; docente permanente vinculado a linha de pesquisa Mídia e Mediações Socioculturais do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ; coordenador geral do Núcleo de Estudos e Projetos em Comunicação, vinculado também ao PPGCOM da UFRJ (atua como líder deste grupo de pesquisa, fundado em 1992 e que está inscrito na base do CNPq). É um dos membros fundadores do Congresso do COMUSICA e dos seguintes GTs: Comunicação, Música e Entretenimento (da INTERCOM) e Estudos de Som e Música (da COMPÓS). Vem desenvolvendo a seguinte investigação: Comunicação e Territorialidades Sônico-Musicais na Cidade do Rio de Janeiro (com o apoio do CNPq). Vem trabalhando nos últimos anos com os seguintes tópicos: comunicação cultura urbana; cidades criativas; estudos som e música; ambiências urbanas; juventude, espacialidade e políticas públicas (para mais informações cf. o site/blog do pesquisador: https://www.micaelherschmann.com). É autor de inúmeros artigos, ensaios, coletâneas e livros (elaborados individualmente e em parceria). Dentre a sua produção intelectual destacam-se as seguintes publicações: Metrópole Sensível (Editora Sulina, 2025); Cidades Musicais (In)visíveis (Editora Sulina, 2024); A força Movente da Música (Editora Sulina, 2023); Artivismos Urbanos (Editora Sulina, 2022); Cidades Musicais (Editora Sulina, 2018); Música nas ruas do Rio de Janeiro (Editora Intercom, 2014); Entretenimento, Felicidade e Memória (Anadarco Editora, 2012); Comunicações e Territorialidades (Anadarco Editora, 2012); Nas bordas e fora do mainstream musical (Editora Estação das Letras e das Cores, 2011); Indústria da Música em Transição (Editora Estação das Letras e das Cores, 2010); Comunicação e História – interfaces e novas abordagens (Editora Mauad X, 2008); Lapa, cidade da música (Editora Mauad X, 2007); Novos Rumos da Cultura da Mídia (Editora Mauad X, 2007); Comunicação, Cultura e Consumo (Editora E-Papers, 2005); Mídia, Memória Celebridades (Editora E-Papers, 2003); O funk e o hip-hop invadem a cena (Editora UFRJ, 2000); Linguagens da Violência (Editora Rocco, 2000); Abalando os anos 90 (Editora Rocco, 1997); A invenção do Brasil Moderno (Editora Rocco, 1994); e Lance de Sorte (Editora Diadorim, 1993).

Projetos de Pesquisa
Comunicação e Territorialidades Sônico-Musicais na Cidade do Rio de Janeiro.

Em linhas gerais, nesta investigação se buscará avaliar a importância das atividades musicais realizadas ao vivo e nos espaços públicos e privados por artistas, coletivos e/ou redes sociais – na forma de concertos, blocos, rodas ou festas – para a ressignificação do Centro da metrópole do Rio de Janeiro, isto é, vai se procurar analisar sua capacidade em contribuir para converter estes territórios em espaços mais democráticos (com melhores níveis de inclusão e participação social) e até com algumas dinâmicas mais interculturais. Parte-se do pressuposto de que há uma “cultura musical” nestas localidades, praticada por diversos atores (a grande maioria deles engajados) e que é capaz de criar condições não só para a ampliação das sociabilidades, mas também para a ressignificação inovadora dos espaços dessas cidades. Assim, nesse contexto, a música executada especialmente no período do happy hour – tocada e performada nesta “temporalidade” (MARTINS, 2021; RICOEUR, 2011; HEIDEGGER, 1997; MARQUES, 2008; ELIAS, 1998) vem gerando “ambiências” (THIBAUD, 2015) marcadas por intensa sociabilidade nos espaços urbanos – é avaliada pela literatura especializada como sendo um ingrediente relevante do projeto neoliberal para a construção de cidades criativas (REIS, 2012): conduzindo a transformação dessas localidades em territórios menos voltados para o bem-estar social da população e mais propícios prioritariamente aos negócios, consumo cultural e turismo. Ao mesmo tempo, esses estudos em geral têm considerado as festas e apresentações musicais que são realizadas no registro do regime noturno (DURAND, 1969) como sendo de natureza mais transgressora; isto é, têm sido recorrentemente reiteradas assim no imaginário urbano. Partindo de um denso trabalho de campo que rastreará os atores nas suas reagregações que gravitam em torno de atividades musicais – cartografando as suas controvérsias (LATOUR, 2012) –, esta investigação proposta buscará problematizar essa interpretação reducionista, colocando em evidência a existência de variadas iniciativas que se realizam no período híbrido do happy hour, algumas delas inclusive organizadas em rodas e festas menos visíveis e mais informais (até clandestinas), as quais tem um perfil muitas vezes dissensual (RANCIÈRE, 1996), não só ocupando os espaços públicos intersticiais da urbe (CARERI, 2017) e/ou casas de espetáculo da cidade gentrificada, mas também acionando um conjunto de táticas e astúcias (DE CERTEAU, 1994) relevantes. Essas tramas musicais realizadas no happy hour possibilitam – mesmo em um contexto de precarização, exclusão e ampliação da violência no espaço urbano das cidades globalizadas neoliberais – que os atores concretizem, ainda que parcialmente, o seu direito à cidade (LEFÈBRVRE, 2015), através da construção recorrente de territorialidades sônico-musicais (HERSCHMANN e FERNANDES, 2014), subsidiando assim a ressignificação do seu cotidiano e a reafirmação de valores e códigos sociais associados a uma agenda mais progressista  (frequentemente sintonizada com o debate que envolve as minorias que se identificam como grupos LGBTQIA+).  Parte-se da premissa de que o campo da comunicação tem uma importante contribuição a dar neste momento, isto é, pode subsidiar com suas reflexões a construção de renovadas políticas públicas locais (CALABRE, 2008) mais endógenas e democráticas. Esta investigação será realizada no Núcleo de Estudos e Projetos em Comunicação e está vinculada a linha de pesquisa intitulada Mídia e Mediações Socioculturais, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da ECO/UFRJ.

Publicações
SANMARTIN FERNANDES, C.; HERSCHMANN, M. A construção de coreo-polifonias heterotópicas nos jardins do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. REVISTA FAMECOS (ONLINE), v. 33, p. e48981-12, 2026.
HERSCHMANN, M.; Fernandes, C.S.; ROCCA, F. L. (Orgs.). Metrópole sensível: ambiências, atmosferas e tonalidades. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2025.
HERSCHMANN, M.; FERNANDES, C. S. F.. A força Movente da Música. 1. ed. Porto Alegre: Sulina, 2023.
FERNANDES, C.S.; HERSCHMANN, M. Corpos disfóricos na cidade do Rio de Janeiro nas territorialidades construídas pela cena Ballroom carioca. MATRIZES (ONLINE), v. 19, p. 71-86, 2025.