A pesquisa visa saber em que medida a fragmentação da esfera pública promove diferentes formas de habitar o tempo em nosso presente. Entre a fragmentação e as formas de habitação, há uma mediação teórica. Supõe-se que a atualidade é composta por acontecimentos; estes acontecimentos, por sua vez, ainda são, em grande parte, construídos por empresas jornalísticas; por fim, o tipo de composição dos acontecimentos e os modos de narração afetam as formas possíveis de habitar o tempo. A hipótese que guia a pesquisa é que uma esfera pública fragmentada não gera consenso nem sobre o que acontece, nem sobre a forma de sua interpretação. Esse problema é normalmente discutido com os conceitos de polarização, fake news, câmaras de eco, tribalização e bolhas. Embora esta pesquisa articule história das ideias a transformações nas tecnologias de comunicação, seu objetivo não é realizar mais uma história argumentando como as sucessivas tecnologias de comunicação (escrita, imprensa, cinema, rádio, TV e internet) transformaram os modos de pensar. Esta pesquisa também medita sobre como a construção dos acontecimentos pelos meios de comunicação afeta a historicidade; portanto, tampouco se limita a ser mais uma história do jornalismo argumentando como suas transformações foram relevantes para as democracias ocidentais desde o final do século XVIII. O objetivo desta pesquisa é diferente; trata-se de refletir se, e como, o funcionamento das redes sociais pode transformar a própria ideia de história. Não se trata de contar uma história; trata-se de refletir sobre a possibilidade de ainda haver história como forma de uma sociedade habitar o tempo.