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André Parente

André Parente (www.andreparente.net) é professor titular da Escola de Comunicação da UFRJ e teórico do cinema, do vídeo e das novas mídias. É docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura (1988-…) e do Programa de Pós-Graduação Artes da Cena (2014…), ambos da ECO-UFRJ e Pesquisador do CNPq desde 1998. Em 1987 obtém o doutorado na Universidade de Paris 8 sob a orientação de Gilles Deleuze. Em 1991 cria o Núcleo de Tecnologia da Imagem (N-Imagem) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o qual coordena até hoje, em parceria com a Professora Katia Maciel. Entre 1977 e 2024, realiza inúmeros vídeos, filmes e instalações nos quais predominam a dimensão experimental e conceitual. Seus trabalhos foram apresentados no Brasil e no exterior em mais de uma centena de exposições, festivais e mostras. É autor de vários livros: Imagem-máquina (1993), Sobre o cinema do simulacro (1998), O virtual e o hipertextual (1999), Narrativa e modernidade (2000), Tramas da rede (2004), Cinema et narrativité (L’Harmattan, 2005), Preparações e tarefas (2007), Cinema em trânsito (2012), Cinemáticos (2013), Cinema/Deleuze (2013), Passagens entre fotografia e cinema na arte brasileira (2015), Imagens e exercício da liberdade: cinema, fotografia e artes (organizado em parceria com Beatriz Furtado e André Brasil, 2019), entre outros.

Projetos de Pesquisa
Cinema de artista no Brasil. Entre cinema, arte contemporânea e novas mídias.

Foi em torno dos anos de 1990, quando o cinema estava prestes a completar um século, que tomamos consciência de uma série de questões que mudariam para sempre a relação da crítica com a história do cinema. Em primeiro lugar, uma série de pesquisas culminaram com a noção de cinema dos primeiros tempos ou cinema de atrações. Outras pesquisas, desta vez relacionadas à arqueologia das mídias surgidas no início do século XIX (não apenas a fotografia, mas os panoramas, os brinquedos óticos e os trabalhos dos precursores do cinema) mostravam que elas estavam ligadas a grandes mudanças na nossa maneira de ver o mundo. Finalmente, no campo da teoria e da crítica do cinema e da fotografia, várias pesquisas apontavam para uma mudança de regime imagético, com o regime visual da videosfera e da infografia, disso que eu vim a chamar de imagem-máquina. É curioso notar que essas três linhas de pesquisas convergem quando queremos entender as mudanças ora em curso nas relações, complexas, que se estabelecem entre cinema, arte contemporânea e novas mídias. Acompanhamos tudo isso com grande interesse por meio de pesquisas sobre o cinema de artista no Brasil (Cinemáticos, 2013), os trânsitos do cinema (Cinema em Trânsito, 2012), os dispositivos pré-cinematográficos (O Virtual e o Hipertextual, 1999), os processos de hibridização do cinema (Passagens entre Fotografia e Cinema na Arte Brasileira, 2015), as novas tecnologias da imagem (Imagem-Máquina, 1993 e Tramas da Rede, 2004). Simultaneamente a esse trabalho teórico, nos envolvemos na criação de filmes, vídeos, instalações e dispositivos que nos permitiram participar de mais de uma centena de mostras, festivais, exposições e eventos científicos. Nesta pesquisa, tencionamos fazer uma síntese desse conjunto de publicações e trabalhos artísticos no sentido de apontar para as principais tendências do cinema experimental e expandido no Brasil. Como veremos, a produção de imagens em movimento por parte dos artistas foi não apenas extensa, mas também abrangente, incluindo obras seminais que mereceriam destaque em qualquer grande cinematografia, americana ou europeia. A aposta é que, em nosso país, com raras exceções como é o caso do Cinema Marginal, o cinema experimental se confunde com o cinema de artista e de exposição. Na verdade, optei por um enfoque sistemático em função de certas tendências transversais, e não por uma abordagem histórica ou tecnológica, frequentemente sujeita a certos determinismos.

Publicações
PARENTE, A.; XAVIER, I. (Org.) ; OSTHOFF, S. (Org.) ; TOLEDO, K. V. M. (Org.) ; COSTA, L. C. (Org.) ; Carvalho, Victa (Org.) ; ALZUGARAY, P. (Org.) ; LUZ, R. (Org.) ; BEUGNET, M. (Org.) ; HERKENHOFF, P. (Org.) . Imagem (pre)posição. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Circuito, 2026.
PARENTE, A.; FURTADO, S. B. (Org.) ; Brasil, André (Org.) . Imagem e exercício da liberdade: cinema, fotografia e artes - imagem contemporânea III. 1. ed. Fortaleza: Editora da UFC, 2020.
PARENTE, A.. O Visorama: dispositivo de cinema expandido, imersivo e interativo. CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (ONLINE), v. 43, p. 15-32, 2018.
PARENTE, A.. Imagem-Máquina. A Era das Tecnologias do Virtual. 4. ed. São Paulo: Editora 34, 2011.