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Maria Cristina F. Ferraz

Possui graduação em (Letras Português Literatura) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1976), graduação em Didática Especial de Língua Inglesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1977), mestrado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1982), mestrado em Filosofia D E A – Université Paris 1 Pantheon-Sorbonne (1986) e doutorado em Filosofia – Université Paris 1 Pantheon-Sorbonne (1992). Pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e, desde 2012, professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde é membro permanente do PPGCOM. Foi professora Titular da Universidade Federal Fluminense de 1994 a 2011. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Fundamentos Teóricos da Comunicação e Cultura, atuando principalmente nos seguintes temas: subjetividade contemporânea, novas tecnologias, corpo, imagem, afeto. É especialista nas filosofias nietzschiana, bergsoniana e deleuzeana. Foi coordenadora local de um Doutorado Internacional Erasmus Mundus na UFF e de um mestrado internacional com a chancela Erasmus Mundus na UFRJ (2017-2022). De 2025 a abril de 2026 foi Coordenadora-Adjunta do PPGCOM/UFRJ. De abril a dezembro de 2026, é pesquisadora visitante convidada pela Universidade de Paris 8-Vincennes-Saint-Denis, junto ao laboratório de filosofia contemporânea (LLCP). Co-líder do grupo de pesquisa Laboratório de Filosofia-Mundo (LFM).

Projetos de Pesquisa
Comunicação, tecnologias e subjetividade: da monocultura subjetiva às fabulações especulativas.

Desdobrando e entrecruzando temas de pesquisa em Teoria da Comunicação desenvolvidos nos últimos anos, este projeto procura responder às urgências do presente, infletindo-se na direção de problemáticas que articulam tecnologias, subjetividade, mídia e fabulação. A investigação acerca da produção de “monoculturas subjetivas”, de perfis-padrão identitários, será conduzida em temas e esferas paralelos e complementares. Pretende-se aprofundar a análise do engessamento de formas de subjetivação atravessadas por clichês, pela apropriação e corrosão de termos caros à tradição insurgente e democrática – tática frequente da extrema direita. Tal operação vincula-se à instrumentalização política de afetos como medo, ressentimento, sentimentos de impotência e de insegurança. O esvaziamento da ética favorece práticas e discursos cínicos radicalmente distantes do Cinismo greco-latino, oportunamente tematizado por Michel Foucault em seu último curso. Radicalizando o abalo da antiga partilha, no Ocidente, entre ser e não-ser, entre verdadeiro e falso – explorado e incrementado por narrativas negacionistas -, ao final do primeiro quartel do século XXI produtos de IA generativa começam a se disseminar na publicidade e no âmbito audiovisual, abrindo novas vertentes para a pesquisa. Na esteira do método genealógico – que não autonomiza o campo das tecnologias, evitando a cilada do determinismo tecnológico -, mediações tecnológicas são pensadas a um só tempo como efeitos e como instrumentos de mudanças em um solo histórico movente no qual sentidos culturais, modos de perceber e de ser são sempre reconfigurados. Face à monocultura subjetiva que parasita o pensamento, produzindo caos e dissonâncias cognitivas, em um cenário de extenuação do planeta,  erguem-se fabulações especulativas, ativadas tanto por pensadoras feministas (Ursula Le Guin, Donna Haraway, Anna Tsing, Isabelle Stengers) quanto por autores brasileiros: Aílton Krenak, Davi Kopenawa, Nego Bispo, mas também Clarice Lispector, Guimarães Rosa. Nessa via, abrem-se brechas para escapar de cristalizações identitárias em direção a reflorestamentos narrativos, ficcionais e subjetivos. O projeto tem, por um lado, um viés crítico, no sentido de contribuir para o diagnóstico do presente; por outro,  inspirado no gesto genealógico, aposta nas potências da fabulação para fertilizar vidas em um mundo em falência ética, em um planeta à beira de esgotamento.

Publicações
FRANCO FERRAZ, MARIA CRISTINA; SAINTCLAIR, E. T. . 'Imagens em IA, guerra e memória: mutações da percepção em novas tramas de poder'. REVISTA MEMORARE, v. 12, p. 1-14, 2025.
FRANCO FERRAZ, MARIA CRISTINA. Espirais do medo: como surfar turbilhões. 1. ed. Rio de Janeiro: Via Verita, 2024.
FRANCO FERRAZ, MARIA CRISTINA; MURARI, L. (Org.) . Fulgurações interartes: derivas e contágios. 1. ed. Rio De Janeiro: MAUAD X, 2023.
FERRAZ, MARIA CRISTINA FRANCO; SAINTCLAIR, E. T. . Para além de Black Mirror: estilhaços distópicos do presente. 1. ed. São Paulo: N-1/Hedra, 2020.