No Brasil contemporâneo, podemos observar uma ascensão de discursos
conservadores sobre as mulheres, tanto protagonizados por políticos do espectro da direita quanto mais pulverizados em discursos midiáticos que disputam com o feminismo a possibilidade de produzir noções sobre a feminilidade. Assim, o direito de delimitar o que é ser mulher hoje tornou-se uma questão a ser reivindicada por diversos atores políticos e sociais, e se colocou no centro de guerras culturais. Esse projeto busca contribuir para adensar a pesquisa nas áreas da Comunicação, das Emoções e da Teoria Feminista e Estudos de Gênero, contribuindo para aprofundar interfaces teóricas e metodológicas entre estes campos. Há ainda potencial de expansão para pesquisas voltadas a uma análise cultural e política das emoções no campo da Comunicação. Em um atravessamento com a Teoria Feminista, essa pesquisa busca contribuir com a produção de instrumentos epistemológicos, críticos e éticos para pensar as mediações socioculturais entre feminismo, emoções e mídia. o presente projeto de pesquisa tem o objetivo geral de analisar discursos midiáticos contemporâneos que têm o feminismo como temática, de modo a compreender que sentidos sobre esse movimento têm sido construídos nos meios de comunicação e como as emoções têm sido mobilizadas pelas mulheres e sobre elas como balizadoras de uma prática, de uma identidade e de um projeto feminista. Além deste objetivo geral, apresentam-se os seguintes objetivos específicos: 1) Analisar a construção de um feminismo terapêutico contemporâneo, discutindo os atravessamentos entre movimentos sociais e a cultura da autoajuda; 2) Discutir continuidades e descontinuidades entre representações femininas e feministas nos meios de comunicação em relação a emoções como amor, felicidade, raiva e tristeza, bem como atravessamentos de marcadores interseccionais nesses aspectos; 3) Destrinchar visões antagônicas sobre o feminismo em discursos de movimentos antifeministas e/ou desinformativos, investigando o papel das emoções como ódio e nojo na dramatização e reforço de fronteiras sociais; 4) Analisar os discursos sobre relacionamentos amoroso em redes sociais, em especial TikTok, destrinchando os discursos emocionais e as concepções de feminilidade presentes em hashtags como #boysober e #energiafeminina.